O FIM NA BR 101-SUL: ATÉ QUANDO?

 Por Rafael Leal*

Com a trágica notícia da morte de mais quatro jovens na parte ainda não duplicada da BR 101 – Sul, fica evidente o despreparo e a completa omissão da administração pública em relação à questão.

Mas não apenas isso. Verifica-se, com pesar e melancolia, a descartabilidade e a desimportância de vidas humanas, cidadãos brasileiros, para algumas autoridades. No asfalto esburacado e grotesco desta rodovia bizarra, a história negra continua a nos perseguir com relatos diários e cotidianos de colisões, sofrimentos, perdas, tristes passamentos…

A retórica puída dos “responsáveis”, indagados cada vez que ocorre alguma nova fatalidade, é sempre a mesma. Tão ensaiada que chega a agredir. Burocracias nas licitações, questões ambientais, ausência de verba, clima desfavorável e etc. E a mais utilizada: culpa exclusiva dos motoristas, face à imprudência com que pilotam seus veículos. Olvidam-se que a culpa exclusiva, na verdade, é da negligência com que tratam a questão.

Enquanto isso, estes mesmos relapsos cruzam os céus com jatos pagos pelos heróicos cidadãos que ali estão, diuturnamente, na infernal rodovia, trafegando em busca de uma vida melhor, trabalhando ou simplesmente retornando para seus lares.

Por que, e agora em um devaneio onírico-jurídico, o Ministério Público não passa a responsabilizar criminalmente o Presidente da República, o Ministro dos Transportes, o Diretor do DNIT, cada vez que ocorra uma nova fatalidade na BR-101-Sul até sua completa duplicação, diante da previsibilidade das tragédias?

Será que somente assim teríamos uma solução para o descalabro? Até quando este mal vai persistir? Até quando teremos famílias desesperadas e desestruturadas por tais omissões criminosas?

Aguarda-se as investigações para que se verifique o que já é sabido por todos: a própria rodovia ocasiona os acidentes fatais. Roga-se da investigação federal a mesma diligência demonstrada recentemente em processos polêmicos e de grande repercussão deflagrados no Estado do Rio Grande do Sul.

Recebam, por fim, meu voto de solidariedade, familiares e amigos de Wiliam Justo Mattos, Gilles Justo, Sady Droppa Guedes Júnior e Assis Júnior Scheffer, ex-futuros colegas. Embora não me tenha sido dado o privilégio de tê-los conhecido, certamente nos encontraremos em algum Fórum ou Tribunal de esfera superior.
*Rafael Coelho Leal, advogado criminalista, membro das comissões de Direitos Humanos e do Jovem Advogado da OAB/RS

Categoria Notícias

Por: admin em 29 de setembro de 2009

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